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Algumas coisas já fazem parte de nossa rotina, e muitas vezes não pensamos muito sobre elas. A imagem abaixo, por exemplo:

Ela pode fazer-nos pensar em muitas coisas: nossos filmes preferidos, na última vez em que fomos ao cinema e nos divertimos ou naquela sessão que ficou gravada na memória por algum motivo. Mas poucas pessoas pensam no tradutor. Sim, no tradutor.

O fato é que a maioria das produções audiovisuais passam necessariamente por um algum tipo de mediador, que na maioria das vezes é um tradutor.

Sejam elas dubladas (esse também é um tipo de tradução) ou legendadas. Quase nada fica impune: filmes, séries, curtas-metragens; seja no cinema, em canais da televisão aberta e fechada e até no Netflix.

Um marco para o expressivo aumento do campo de atuação para a legendagem é a passagem do VHS para o DVD, maior acesso à televisão a cabo e plataformas de streaming. Isso fez com que houvesse a possibilidade de colocar legendas em várias línguas para um mesmo filme, por exemplo.

Outro ponto fundamental é o estabelecimento e distribuição de outros núcleos de produção audiovisual além de Hollywood.

Legendagem em espanhol

No caso do espanhol, por exemplo, nunca houve tanta demanda de legendagens provenientes de novos polos como Argentina, México e Espanha.

Pois bem, as legendas são fundamentais para a recepção de um público que não fala a língua original e são fruto de um importante nicho, que tem características próprias e muitas vezes requer o manejo de algumas tecnologias.

Elas também formulam uma importante pergunta: a legendagem é tão diferente assim de outros tipos de tradução?

Um dos pontos críticos da legendagem é o conhecimento da cultura do idioma de chegada. Traduzir um diálogo palavra por palavra é uma receita para uma legendagem precária e que leva ao fracasso.

Por exemplo no texto “Palavras que não existem em outras línguas”, mostra como podemos nos encontrar com barreiras tradutológicas, tais como falsos cognatos, momento histórico, circunstâncias entre outras situações que podem interferir na qualidade da legendagem.

Legendagem, uma tradução subordinada

Para dar base a discussão recorremos a alguns conceitos da Tradutologia.

Os que têm mais familiaridade com a área sabem que existem muitas tentativas de categorização que buscam fazer distinções entre vários tipos de texto e modalidades de tradução.

Nesse sentido, a primeira diferenciação é entre textos orais que recebem traduções orais e textos escritos que recebem traduções escritas.

Essa seria uma diferenciação simples e que é muito fácil de entender. Há, por outro lado, modalidades complexas, como a realização de uma tradução oral a partir de um texto escrito.

Entretanto, em alguns contextos, a tradução verbal (ou seja, o produto final é um texto escrito) pode estar subordinada à linguagem não-verbal, elementos visuais e sonoros. É o caso de filmes, propagandas, músicas e qualquer tipo de informação visual que utilize esses recursos.

O fato é que a presença de elementos não-verbais impõe limitações à tradução do código verbal, e por isso esse tipo de tradução costuma ser chamada de “subordinada”.

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Quais as limitações da legendagem?

A primeira coisa que precisamos ter em mente é que o tempo necessário para ler a legenda é maior do que o tempo da fala que corresponde ao texto.

Nesse sentido é muitas vezes impossível abarcar com a legenda tudo o que foi dito. Mesmo se fôssemos legendar um filme em português com legendas em português: seria impossível reproduzir tudo o que é dito nos diálogos na legenda.

O segundo ponto, e talvez o mais importante, é que o objetivo principal da legenda não é desviar a atenção do espectador, ele deve compreender a cena, e não passar minutos lendo um texto interminável e perdendo o principal da trama.

Ao ser uma tradução subordinada, a legendagem tem restrições de tempo e de espaço. Isso significa que eu tenho um tempo determinado, estipulado pela mudança de quadros e velocidade da fala do material em questão. Esse critério pode mudar segundo o estilo, gênero e outras variáveis.

Na mesma direção, há um espaço predeterminado. Embora esses limites não sejam tão fixos, em geral a média é duas linhas de legenda que ficam localizadas na parte inferior da tela, e cada linha costuma ter ao redor de 30 caracteres.

Além disso, a legenda tende a permanecer de 1 a 6 segundos na tela e respeitar as mudanças de plano de imagem para aparecer.

Algumas técnicas aplicadas à legendagem

Uma prática comum e necessária é a (1) marcação das legendas, muitas vezes conhecida pelo seu nome em inglês (spotting).

Ela consiste em calcular o instante em que as legendas devem aparecer e marcar cada um deles. Na prática, significa encontrar os tempos de entrada e saída das legendas.

Essa técnica deve prezar principalmente pela (2) sincronização, ou seja, as legendas devem acompanhar o ritmo das mudanças do plano de câmera, esse processo, ainda que um pouco trabalhoso, é de simples realização com softwares de legendagem.

Após realizar esse procedimento, é a hora da(3) tradução em si. Neste momento trabalharemos na criação do texto na língua alvo com as limitações em mente durante todo o processo. Vale lembrar que em alguns trabalhos a transcrição do original será disponibilizada, mas nem sempre é assim. Na maioria das vezes o conteúdo de áudio e vídeo é a única base. Também é importante respeitar algumas convenções de formatação, como letras em itálico para sons em off.

A última etapa é a simulação do vídeo legendado para que seja possível fazer as correções necessárias.

Legendar com Subtitle Workshop

Com a crescente demanda por esse tipo de tradução, plataformas como YouTube e Vimeo já criaram espaços de edição em que é possível inserir legendas de maneira intuitiva e simples. Muitos clientes disponibilizam o acesso de edição ao vídeo e a legendagem pode ser realizada diretamente na plataforma.

Mas nem sempre é assim, e o uso de programas específicos pode ser útil e às vezes obrigatório.

Um dos programas mais populares é o Subtitle Workshop. É um programa com várias funcionalidades e desempenho satisfatório, além de ser totalmente gratuito. Com ele é possível cobrir todos os passos mencionados anteriormente, marcação, tradução e simulação/correção, em uma mesma tela.

A boa notícia é que suporta diversos formatos de vídeo e mais de 60 formatos de arquivos de legenda, oferece a possibilidade de trabalhar em várias línguas, e o português é uma delas. É, sem dúvidas, uma excelente opção.

Você já tem experiências com legendagem? Compartilhe conosco seus conhecimentos sobre esse mercado em crescente expansão!

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