Qual a importância do tradutor, do autor e do revisor no resultado final? Uma só pessoa pode desempenhar mais de uma função? Leia o artigo completo.

Ao fazer uma rápida consulta ao dicionário, teremos, para a palavra autor, a definição de que é aquele que cria ou produz uma obra.

Já o tradutor é a pessoa responsável por traduzir, ou seja: passar algo (uma obra, por exemplo) de uma língua a outra. Em último lugar, o revisor, definido como quem revê, corrige e faz adequações finais no texto.

É de se esperar que quem desempenha algum (ou mais de um) desses papéis tenha uma lista extensa de outros elementos associados à função e que não são contemplados por uma definição tão geral como as expostas anteriormente.

Por outro lado, muitas vezes espera-se de determinado profissional um conjunto de posturas ou práticas que não lhe competem — e, o que é pior, às vezes nada disso foi acordado com o cliente antes do início do trabalho — e resultam em impasses como:

  • o cliente solicitou a revisão de uma tradução, entretanto, ao examinar o texto, o profissional percebe instantaneamente que se trata de uma tradução automática ou de qualidade dúbia.

Para entender a diferença entre uma tradução automática e uma tradução humana, leia nosso artigo completo aqui .

O que fazer nessa situação? Evidentemente a entrega de um bom trabalho extrapolará os limites de uma revisão (seja qual for), já que será necessária a reescrita de parágrafos inteiros e um trabalho minucioso de cotejamento com o arquivo original (quando esteja disponível).

Diante de tal impasse, alguns podem optar por negociar novamente o orçamento, outros, quem sabe, preferirão não realizar o trabalho.

Conteúdo é o rei

Não existe um código de conduta para esse tipo de problemática, mas conhecimento é poder.

Isso significa que, ao entender o conjunto de funções, responsabilidades e deveres de cada um dos profissionais de conteúdo, será mais fácil para reconhecer os limites e a amplitude de cada forma de atuação profissional.

Antes de começar a conversa:

É necessário compreender que o meio em questão é um vasto território, e os contextos de atuação são inúmeros, com suas particularidades e algumas características comuns.

Podemos, por exemplo, pensar no mercado editorial de maneira geral. Os três profissionais em questão — autor, tradutor e revisor — podem estar involucrados, mas há uma série de outras formas de atuação.

  • Os responsáveis pela descoberta de novos escritores, adiantamentos e acordos de direitos autorais;
  • Os tradutores (lembre-se de que não existe somente a tradução interlingual, a tradução intralingual é muito importante no mercado brasileiro);
  • Revisões de prova (podem ser infinitas);
  • Revisão final;
  • Diagramação, capa. etc.

Também podemos pensar em meios diferentes, como o conteúdo para marketing, redes sociais, publicidade, entre outros.

Nesse sentido, este artigo propõe uma conversa inicial sobre problemáticas relacionadas à prática se autores, tradutores e revisores, entendendo que são áreas de atuação bastante complexas e em constante mudança.

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O autor

“Enquanto escritor, as palavras são a sua tinta. Utilize todas as cores”.

A frase de Rhys Alexander tenciona uma importante constante do trabalho do autor: sua principal ferramenta são as palavras. Conheça-as bem, saiba construir com elas uma amplitude de significados, lugares, pessoas e sentimentos.

Na prática, o autor é o responsável pela criação de um texto. Ele pode ser um escritor de literatura e trabalhar com contos, romances, poemas, etc.

Pode trabalhar com a redação de textos técnicos, pautada por outros objetivos e direcionada a outros públicos.

Também, pode atuar como produtor de conteúdo de marketing e produzir textos cujo principal objetivo é promover algo e vendê-lo.

Cada tipo de texto demandará uma importância diferente para a autoria. Em um livro de ficção, o elevado trabalho com a subjetividade confere um valor de unicidade ao texto.

Nesse caso, o autor é uma figura central e seu nome tende a ser mais importante.

Textos técnicos com foco no leitor

Já os textos técnicos em geral, por outro lado, estão mais centralizados no receptor, ou seja, no leitor.

Eles, ao contrário dos literários, trabalham quase que totalmente com uma linguagem mais objetiva, e sua finalidade pode ser explicar, informar, ensinar, descrever, etc.

Por fim, os redatores que trabalham com textos de marketing têm outra missão: sua função é, em parte, objetiva e subjetiva.

Eles devem trabalhar com as emoções do público ao escrever um texto, labor que anda ao lado de um conhecimento profundo sobre o comportamento, preferências e perfil do público-alvo em questão.

Nos últimos dois exemplos, o nome do autor nem sempre é tão importante, às vezes desaparecendo completamente sem estabelecer qualquer tipo de relação com o material.

Lembrem-se de que o conceito de ghostwriter — termo do inglês que significa autoria fantasma, anônima ou que será atribuída a outra pessoa ou instituição com a anuidade do verdadeiro autor, que permanece oculto — é cada vez mais comum em todas as formas de atuação supracitadas.

O tradutor

“Traduzir significa conseguir efeitos análogos com meios diferentes”

Paul Valéry

É muito difícil definir a tarefa do tradutor. É um fato, e qualquer pessoa que pareça muito segura ao definir esse tipo de trabalho talvez deva rever seus conceitos. Mas, isso não significa que devemos negar qualquer definição.

Em geral, os tradutores têm “especialidades”. Isso significa que preferirão trabalhar com determinado par de línguas, realizar traduções e/ou versões e optar exclusivamente por um tipo de texto, provavelmente algum entre os citados anteriormente.

Essa constatação sinaliza algo importante: nenhum tradutor traduz qualquer tipo de texto. 

A seleção de determinado tipo de texto determinará a relação do tradutor com o autor e o tipo de trabalho realizado com a língua alvo, assim como a “liberdade” potencial da tradução.

Muitos concordam que o tradutor é um dos autores de uma obra, e isso acontece porque ele deve preservar o efeito (e função) de determinado texto em outra língua. Ele pode mudar mais ou menos o texto em questão, sempre respeitando a intenção do texto original e a intenção do cliente.

Entretanto, é importante frisar que diante de um texto com falta de coesão e coerência, cheio de ambiguidades (que não são fruto de um trabalho formal com a língua, como é comum na escrita criativa) e problemas estruturais, o trabalho do tradutor não é resolver esses problemas, a não ser que isso seja previamente acordado.

O revisor

As diferenças entre o autor e o tradutor já começaram a ser discutidas. Mas, e o revisor?

Sua principal função é garantir que não haja nenhum “erro” na versão final do texto em questão.

Ideias mal formuladas, falta de coesão e coerência, problemas de ortografia, gramática e de construção de sentido não podem passar. É essencial ter em mente que:

  • Nem sempre o texto passa pelo crivo de somente um revisor, muitas vezes trata-se de uma equipe;
  • O conceito de “erro” é muito (muito mesmo) amplo e deve levar em consideração a figura do autor, o tipo de texto e o público receptor;
  • Ele é o profissional que tem menos liberdade nessa equação, e deve respeitar a tessitura textual específica do tipo de texto em questão.

Além dos pontos anteriores, o senso comum costuma associar o revisor a publicações acadêmicas e livros, apenas.

Trata-se de um engano comum, já que todo tipo de texto pode passar pela leitura do revisor: flyers, manuais, cardápios, conteúdo de marketing, textos publicitários, materiais didáticos, artigos, teses, dissertações e monografias.

Você tem experiência com alguma dessas formas de atuação profissional? Divida sua experiência conosco!

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