A tradução automática (TA) surgiu de forma simultânea à Ciência da Computação nos anos 40, desenvolvendo-se rapidamente pós II Guerra Mundial e durante a Guerra Fria, devido ao interesse de ingleses e norte-americanos nas informações científicas da ex-União Soviética.

A primeira experiência bem-sucedida usando tradutores automáticos de que se tem notícia, por meio de um computador, foi realizada em 1954.

Na década de 80, a tradução automática voltou a ganhar força com os avanços da tecnologia da informação.

Dessa forma, a inteligência artificial e a tradução automática começaram a se destacar por motivos práticos.

Como consequência do sucesso desses programas de tradução, começaram a ser desenvolvidos ferramentas e softwares automatizados utilizando o mínimo de intervenção humana possível.

O Google Tradutor é o exemplo mais conhecido desse tipo de ferramenta.

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4 Desvantagens da Tradução Automática

Um tradutor profissional não deve utilizar esses serviços gratuitos de tradução automática por muitos motivos.

Listaremos abaixo alguns deles, para que você nem cogite utilizá-los:

Ausência de precisão

o tradutor automático realiza a tradução palavra por palavra e não possui uma compreensão geral do texto.

Normalmente, um tradutor automático como o google tradutor, por exemplo, não considera o contexto, resultando em uma tradução que pode até ser “correta” em certo grau, mas que não oferece as nuances e as particularidades necessárias para transmitir a mensagem com sentido e qualidade.

Será necessário revisar cada trecho para ter certeza de que foi traduzido adequadamente.

Claro, você até pode utilizar como uma ferramenta de vocabulário ou algo semelhante, porém o texto final terá maior qualidade se for feito por um tradutor humano.

Escolha de palavras básicas e limitadas

A tradução automática normalmente utiliza vocabulário e gramática básicos e genéricos.

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A tendência é traduzir palavras e expressões de modo literal. Isso empobrece o trabalho, uma vez que elimina do texto vocabulários, expressões e carga cultural que somente uma pessoa pode perceber, pelo menos por enquanto.

Apesar de atualmente alguns tradutores automáticos terem evoluído com relação a expressões idiomáticas, ainda há muito que aperfeiçoar.

Retrabalho

Apesar de parecer um trabalho eficiente e rápido, não se engane.

Você precisará revisar e corrigir essas traduções de baixa qualidade, o que pode acabar dando mais trabalho do que realizar a tradução manual do zero.

Dessa forma, o uso de tradução automática deve ser feito, no máximo, para tirar pequenas dúvidas muito simples, porém jamais para traduzir textos inteiros ou complexos.

Limitação para lidar com gírias, coloquialismos e expressões idiomáticas

Por possuir cobertura lexical limitada e por não possuir percepção e bom senso, o programa não consegue identificar esses elementos de forma a traduzi-los corretamente.

Agora que as desvantagens das traduções automáticas foram expostas, podemos estabelecer uma comparação em relação à tradução humana que, apesar de todos os avanços tecnológicos continua sendo a base de qualquer tradução de qualidade.

Você irá perceber que as vantagens e os benefícios da tradução humana estão diretamente ligados às desvantagens das TAs.

6 Vantagens da tradução humana

  • Conhecimento do idioma: a tradução humana utiliza o conhecimento linguístico aliado ao pensamento crítico e ao contexto para oferecer a melhor qualidade possível ao trabalho, mantendo o significado do texto de origem com precisão. 
  • Criatividade: no caso de traduções literárias ou peças publicitárias em que o fator criatividade está presente, apenas as traduções humanas têm êxito, uma vez que máquinas não possuem a habilidade de detectar essas nuances.
  • Conhecimento cultural: cada cultura segue diferentes valores e normas.

Ao traduzir um conteúdo para outro idioma, é fundamental estar ciente das diferentes normas e valores culturais em jogo.

Sem compreender de fato a cultura do povo que fala aquela língua, a tradução perde em qualidade e ainda corre o risco de haver gafes e até mesmo ofensas.

Os programas automáticos não possuem conhecimento cultural e, portanto, podem se tornar uma ameaça ao processo tradutório.

  • Conhecimento técnico: traduções técnicas precisam de especialistas humanos com conhecimento das terminologias específicas do nicho em questão. Softwares não são capazes de realizar esse trabalho adequadamente.
  • Sensibilidade: inerente ao ser humano. Por mais completo que seja o banco de dados de um software, ele jamais terá o conhecimento linguístico, cultural e a sensibilidade de uma pessoa qualificada e experiente.
  • Capacidade de aplicar SEO: em tempos em que só se fala de estratégia de marketing digital, surge a constante necessidade de melhorar o posicionamento de sites em resultados orgânicos de busca, ou seja, de aplicar o SEO.

Os tradutores humanos têm a capacidade de selecionar as melhores palavras possíveis em seus trabalhos para aplicar o SEO internacional.

Até o momento, a tradução automática não possui essa capacidade.

Opte sempre por um tradutor profissional

Após a leitura deste artigo, podemos constatar que trabalhar com um profissional qualificado garante a melhor qualidade de tradução.

Afinal ele possui conhecimento detalhado de ambas as línguas, criatividade na linguagem e sensibilidade às normas culturais das pessoas que falam o idioma, recursos de que as máquinas são desprovidas.

Acreditamos que, mesmo que os programas e ferramentas de tradução automática continuem sendo aperfeiçoados, ainda assim terão noções exclusivamente lineares.

Em outras palavras, os tradutores automáticos, ao desconsiderarem o entorno sócio-histórico-cultural jamais conseguirão substituir o talento e a capacidade humana.

O que você pensa a respeito disso? Comente conosco aqui no blog.

2 thoughts to “Os perigos da tradução automática

  • Touché Guimarães

    Parabéns pela excelente análise e visão crítica sobre o tema!

    Concordamos: o bom tradutor não se limita à conversão de vocábulos (para isso existem dicionários), mas em encontrar e estabelecer a equivalência de termos e idéias dentro dos códigos sócio-culturais entre dois (ou mais) idiomas.

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