Na tradução um tema recorrente é o uso de CAT Tool e outros recursos que ajudam o tradutor.

Poucas indústrias tão antigas quanto a tradução sofreram uma transformação tão radical em curto período.

Essa transformação mudou não apenas as ferramentas com as quais os tradutores trabalham – ela também trouxe uma maneira inteiramente nova de avaliar o papel dos tradutores, da comunicação e da própria linguagem.

A quantidade de informação produzida e a velocidade com a qual ela precisa ser transmitida em nosso mundo globalizado exige o uso de meios que garantam mais eficiência e alta produtividade ao serviço de tradução.

O desenvolvimento da tecnologia faz com que o tradutor atualmente esteja equipado com glossários, bancos de dados e dicionários eletrônicos durante seu trabalho.

A utilização de ferramentas de tradução automática e de programas com memória de tradução só tende a crescer no setor.

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Vamos analisar um pouco esses dois tipos de ferramentas.

MT – Machine Translation ou TA – Traduções Automáticas

Como o próprio nome diz, são sistemas automáticos de tradução que se popularizaram pós Segunda Guerra Mundial.

Ficou claro, desde cedo, que não era possível que o computador traduzisse estruturas complexas de forma correta como o cérebro humano o faz, uma vez que seu processamento era muito limitado para isso.

Existem no mercado muitos programas e recursos no comércio para TA, alguns gratuitos outros outros on-lines com diferentes abordagens.

Porém as TAs ainda precisam de muito aprimoramento para alcançar o nível linguístico humano.

É interessante usar um tradutor automático em uma urgência ou um “quebra galho”, ou mesmo para aumentar o vocabulário, porém nunca para apresentar um trabalho completo de tradução.

Quanto aos programas de tradução automática, atualmente eles estão bem mais desenvolvidos do que há algumas décadas e estão sendo cada vez mais aperfeiçoados, como é o caso do Google Translate.

Entretanto, continuam necessitando do fator humano para alcançar a qualidade requerida, pois ainda cometem erros tanto gramaticais quanto em relação ao contexto.

Dessa forma, podemos afirmar que um tradutor profissional não deve utilizá-los como base para suas traduções.

CAT Tools

Nos últimos 30 anos, surgiram ferramentas denominadas CAT tools ou computer-assisted translation).

Afinal, nada mais são do que bancos de dados otimizados, capazes de arquivar tudo o que foi traduzido, oferecendo também meios para o abastecimento de glossários.

O conceito é tornar o trabalho com pesquisa e digitação mais eficiente, através do reaproveitamento de dados já inseridos.

É como se houvesse a transferência de informações do cérebro humano para um disco rígido ou como se esses dados fossem armazenados em uma nuvem, permitindo consultas a qualquer momento.

Hoje em dia, quase não se pode imaginar fazer determinados projetos de tradução sem usar uma CAT tool, porque elas possibilitam um ganho em produtividade.

Analisando este cenário de forma crítica, podemos nos questionar se essa concepção de reciclagem trazida por programas de memória não estaria camuflando os desafios das especificidades e variações dos idiomas ao possibilitar a recuperação de trechos de traduções previamente armazenados.

Como podemos utilizar CAT tool de forma adequada?

Todos esses programas de memória de tradução ou simplesmente Cat Tool têm um objetivo bem claro e definido: fazer com que o tradutor ganhe tempo.

Em um mercado cada vez mais competitivo e dinâmico, o tempo torna-se o bem mais precioso, devido às altas demandas e aos curtos prazos dados pelos clientes.

Dessa forma, reaproveitar traduções prévias ajudaria o tradutor a ser mais eficiente em suas atividades.

No entanto, alguns críticos acreditam que essa ideia de economia de tempo pode, na verdade, ser um mito, uma vez que o profissional precisaria de tempo para aprender a utilizar os referidos programas somado ao fato de que, muitas vezes, o cliente solicita que seja usado um programa diferente daquele que o tradutor está acostumado.

Há um fator ainda mais importante a ser considerado quando lidamos com programas de memória de tradução: a variação semântica que pode afetar as traduções armazenadas na memória ao longo do tempo.

É impossível assegurar que aqueles trechos manterão o sentido em contextos e momentos diferentes.

Esse é o ponto chave que precisamos discutir: a sensibilidade e a experiência do tradutor.

Todo profissional deve desenvolver uma percepção aguçada ao traduzir seus textos, levando em conta o contexto histórico, social e cultural.

Em sínstese, ao utilizar programas de memória, o profissional de tradução precisa, mais do que nunca, manter seus sentidos afiados antes de resgatar cegamente um termo armazenado em seu banco de dados. É preciso analisar se aquele termo de fato mantém seu significado no presente projeto.

Qualidade da tradução

Ao longo deste artigo, foi possível analisar que as CAT tools podem auxiliar o trabalho do tradutor se forem usadas de forma consciente e responsável.

À primeira vista, a obtenção da eficiência e otimização de tempo não deve ser alcançada mediante a utilização de textos fragmentados e rígidos previamente armazenados por si só, sem que o tradutor analise o contexto geral do texto e reflita se, de fato, aquela reciclagem é apropriada.

A naturalidade e a qualidade da tradução não podem ser afetadas de forma alguma.

Podemos constatar, portanto, que o simples uso de ferramentas CAT não está obrigatoriamente agregado à obtenção de qualidade da tradução, mas sim ao ganho de tempo.  

Em resumo, é necessário aprimorar-se no uso das ferramentas de tradução, porém sem deixar de lado a pesquisa e o estudo contínuo do conteúdo linguístico.

Até o próximo artigo!

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