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Neste artigo, vamos debater um pouco (eu e você) sobre versão e tradução.

Um dos tabus mais disseminados no mundo da tradução é a impossibilidade de realizar uma tradução de qualidade para a segunda língua. Verdade ou mentira?

Dizer que algo é um tabu pode significar muitas coisas. Esse substantivo pode fazer referência a proibição de fazer ou dizer alguma coisa devido a uma noção de respeito por alguém ou algo, e até mesmo preconceitos de caráter social, psicológico e religioso.

Nesse sentido, é comum escutar que alguém “quebrou um tabu”, por exemplo.

Ainda, pode significar vetos e proibições que recaem sobre coisas específicas, como temas que são considerados tabus em determinadas culturas.

Essa palavrinha tão curta e com significados tão enraizados no tecido social torna-se complexa na hora de defini-la.

            Pois bem, mas e o que isso tem a ver com tradução?

Como em diversas áreas, há muitos tabus que rondam e sobrevivem dentro da tradução. Provavelmente tradutores mais experientes poderão listar vários (e até quem sabe confessar que acreditam em alguns).

Existem também vários tipos de estereótipos e pensamentos de senso comum que estão na base de muitos tabus de pessoas que não desempenham essa função.

Longe de propor uma argumentação maniqueísta, proponho, neste artigo, algumas considerações sobre as implicações de realizar uma versão a uma língua estrangeira.

Entretanto, talvez seja oportuno iniciar a conversa com uma definição de tradução e outra de versão. Elas são a mesma coisa? O que significa, na prática, cada um desses conceitos?

Tradução e versão são tão diferentes assim?

Tradução e versão

Profundamente diferentes e, ao mesmo tempo, muito próximas. Ambas significam um determinado trabalho a ser feito em um texto. No caso da tradução, pressupõe-se que se traduz ao idioma materno ou de maior domínio do tradutor. Vejamos um caso hipotético:

“Eu sou tradutora de espanhol e minha língua nativa é o português. Geralmente faço traduções de textos em espanhol para o português. No mês passado um cliente me pediu a tradução do manual de um jogo online para o português. Foi muito difícil! Passei horas e horas pesquisando esses termos, já que não sei nada sobre jogos online. Mas fiquei muito satisfeita com o resultado final!”

Deste caso hipotético podemos tirar algumas conclusões importantes:

  • 1. A tradução é traduzir um texto da língua de partida para a língua alvo, que coincide com a língua nativa ou de maior conhecimento do tradutor;
  • 2. Isso não quer dizer que é um processo fácil. No exemplo usamos jogos online, e com certeza existem milhares de tradutores íntimos desse tipo de gênero e temática. Mas o fato é que ninguém sabe tudo, nem na língua materna, nem nas línguas estrangeiras. O principal dever o tradutor é pesquisar.

Por outro lado, no caso da versão, fazemos o caminho contrário, isto é, partimos da língua nativa ou de maior domínio para a língua estrangeira. Vamos oferecer outro exemplo:

“Sou tradutor no par inglês e português, e trabalho regularmente com uma empresa traduzindo os manuais técnicos e descrições de produtos que estão em inglês para o português. Assim, o pessoal da equipe e também os clientes poderão utilizar essas informações e usar melhor o produto. Mas isso mudou um pouco no início deste mês: a empresa começou o tão sonhado processo de expansão e começará a trabalhar com mercados de outros países, então solicitaram que eu fizesse a tradução para o inglês de quase todo o material de marketing, suporte e produtos. Foi uma das coisas mais desafiantes que já fiz na minha carreira. Traduzir ao português é uma coisa, mas ao inglês… aprendi mais em duas semanas do que em anos!”

O que esse exemplo nos diz?

  1. Não se trata de uma tradução, mas de uma versão ao idioma estrangeiro;
  2. Assim como a tradução, não é fácil fazer versões. Se ninguém sabe tudo em seu próprio idioma, quem dirá nas línguas estrangeiras. Mesmo falantes fluentes não dominam todos os códigos e contextos de interação em uma língua. O principal dever o tradutor é, de novo e de novo, pesquisar;
  3.  Existe uma grande demanda por versões, e essa é a atividade real de milhares de tradutores.

Como funciona a diferença entre versão e tradução?

            Não existe um código de conduta para tradutores, muito menos um manual do que é correto ou incorreto. Mas podemos e devemos pensar no status do mercado atual e em algumas práticas que devem ser evitadas.

Respondendo a alguns questionamentos que são comumente vivenciados por tradutores.

É melhor fazer traduções ou versões?

Não há uma resposta adequada. É necessário ter o know-how obrigatório em ambos os cenários de acordo com as escolhas do profissional.

O fato é que muitas vezes não é possível escolher, o tradutor também paga contas no fim do mês e uma das características essenciais da profissão é saber pesquisar e ser um excelente leitor.

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Nesse sentido, muitos aceitam jobs de versões, estudam muito e ganham prática em fazer versões de textos.

Se eu sou bom em fazer traduções, me darei bem em versões?

Esses conceitos não são complementares, mas também um não exclui o outro.

Desafios na vida de um tradutor

Um dos maiores desafios é conseguir produzir um texto fluído e “natural” em outra língua, tarefa que é extremamente complexa e exige um leitor altamente crítico, capaz de rastrear as características e composição textual na língua alvo.

Caso receba uma proposta de versão, tenha em mente que será uma tarefa exigente e que será necessário pesquisar muito, como apontamos anteriormente.

Além disso, sempre é importante ter um excelente revisor, preferencialmente nativo, para que se acaso seu texto não estiver adequado você não correrá o risco de entregar um trabalho mal feito.

Qual a melhor decisão como tradutor?

        E se eu me sentir inseguro?

Se houver espaço para tentativa e erro, ótimo! Entretanto, a maioria dos casos não é esse. Jamais garanta um trabalho que você não possa realizar ou que você não tenha como garantir um resultado de qualidade.

 A maioria dos tradutores começa a fazer versões por uma demanda, e muitas vezes aprendem pela necessidade de garantir um trabalho.

O fato é que é sim possível fazer versões. Porém, essa é uma decisão de cada tradutor, do seu grau de intimidade com o outro idioma.

Esse é apenas um dos assuntos que projeta na área da tradução uma série de mitos, mas que mesmo assim mantém algumas verdades.

Gostaria de conhecer a sua experiência em traduções e versões, na sua opinião, é possível fazer versões ou não?

Até a próxima!

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