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Quando pensamos nas dúvidas mais recorrentes dos tradutores, essa sem dúvida está no topo da lista: deve-se traduzir nomes próprios, de pessoas ou lugares?

No passado, era muito comum traduzir nomes próprios, principalmente no caso da língua espanhola. No entanto, hoje em dia essa questão vem sendo analisada de maneira muito mais complexa, motivo pelo qual não é possível dar uma resposta única e objetiva para essa questão.

Existem inúmeras exceções e detalhes que devem ser observados quando o assunto é traduzir ou adaptar nomes próprios.

Neste artigo, iremos esclarecer algumas das dúvidas mais comuns com relação a este tema tão enigmático até mesmo para os tradutores mais experientes do mercado.

Traduzir Nomes de Pessoas – Antropônimos

Como essa categoria é muito abrangente, precisamos dividi-la em partes para apresentarmos explicações mais completas e detalhadas.

Geralmente, nomes de pessoas não são traduzidos, afinal um nome próprio faz parte da própria identidade da pessoa – é uma característica inerente a ela por isso, em princípio não deve ser alterado.  

No entanto, este é um tema muito complexo e exige uma análise mais aprofundada, como veremos a seguir.  

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Nomes de Personalidades

Nomes de celebridades geralmente não são traduzidos – eles permanecem no idioma original, como por exemplo George Michael, John Lennon, Michael Jordan.

Não faria o menor sentido traduzi-los literalmente, por exemplo, para Jorge Miguel, João Lennon e Miguel Jordan, respectivamente.

Da mesma maneira, ninguém traduziria o nome do ator espanhol Antonio Banderas para “Anthony Flags”, em inglês, a menos que se tratasse de uma piada ou algo do tipo.

O que pode acontecer no caso da tradução audiovisual é que por uma decisão do editor um nome seja adaptado para um determinado país ou região.

Nesse caso, normalmente o tradutor receberá instrução específica.

Nomes de Membros da Realeza

Reis, rainhas, príncipes e princesas geralmente têm seus títulos de nobreza traduzidos para o seu equivalente no idioma final. Por exemplo, em espanhol, Richard the Lionheart se torna Ricardo Corazón de León e Henry VIII passa a ser Enrique VIII. 

A tradução de nomes próprios reais também inclui pessoas que passam a fazer parte da realeza após se casarem com um membro real.

Portanto, Kate Middleton, dependendo do contexto, pode receber a denominação de Catalina de Cambridge, em espanhol, ou Catarina de Cambridge, em português.

Os nomes de membros da realeza se mantêm inalterados apenas quando não há uma tradução equivalente no idioma final, como é o caso da princesa Mette-Marit, da Noruega.

Evidentemente, na prática não é o que ocorre sempre. Neste caso, é sempre interessante fazer uma pesquisa para ver se já existe uma tradução consagrada em fontes confiáveis.

Nomes de Personalidades Históricas

Nomes de figuras de grande relevância para a História mundial reconhecidas em todo o planeta costumam ser traduzidos. Portanto, se formos traduzir para o espanhol, Julius Caesar (latim) vira Julio Cesar, Kleopatra (grego) vira Cleopatra e Kongzi (mandarim) se torna Confucio. Michelangelo (italiano), traduz-se como Miguel Ángel em espanhol.

Nomes de Papas

Ao assumir o posto, o novo Papa escolhe o nome pelo qual será conhecido. O nome escolhido – e não seu nome original de nascença – será traduzido para diferentes idiomas a fim de facilitar a pronúncia ao redor do mundo.

Por exemplo, o Papa Giovanni Paolo II (italiano), em português é denominado João Paulo I,  e em espanhol Juan Pablo II.

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Nomes de Personagens Fictícios

Não há uma regra fixa no que diz respeito a adaptar ou traduzir nomes de personagens fictícios. Este caso é completamente diferente dos nomes reais, pois possui inúmeras singularidades.

É possível dividir essa categoria em dois grupos: nomes que possuem uma forte carga de significado em si mesmos e, portanto, não são traduzidos, e os que têm uma tradução clara e transparente que facilitaria o entendimento do leitor.

No primeiro grupo, entrariam Hamlet, de Shakespeare e Albertine, de Proust, que devem ser mantidos em seu idioma original. Já o conto infantil alemão escrito pelos irmãos Grimm chamado Schneewittchen, por exemplo, se encaixa na segunda opção sendo, portanto, traduzido para o idioma final – Branca de Neve em português ou Blancanieves em espanhol.

Com relação a livros infantis, de maneira geral, os nomes originais são normalmente traduzidos ou adaptados a fim de facilitar a compreensão dos leitores.

Na realidade, existe ainda um terceiro grupo, que é um pouco mais complexo que os dois apresentados acima: nomes fictícios em que o tradutor precisa usar a imaginação para adaptar da melhor maneira possível para o idioma final sem perder o sentido.

Por exemplo, o personagem de Game of Thrones chamado Pyromancer e em espanhol virou Piromante de modo a facilitar a compreensão do público de língua espanhola.

Curiosidade – Nomes de Super-heróis

Os fãs de quadrinhos, ao longo dos anos, viram seus heróis assumirem nomes traduzidos literalmente ou ‘criativamente’, mas isso nem sempre agrada a todos – muitas vezes esses nomes acabam sendo mal traduzidos ou simplesmente não combinam com o personagem. Vejamos alguns exemplos:

Joker é traduzido para Coringa em português e El Guasón em espanhol. Dessa forma, o nome de um dos vilões mais carismáticos de toda a história dos quadrinhos foi de certa forma respeitado.

Silver Surfer, icônico personagem da Marvel, foi traduzido literalmente para Surfista Prateado em português. Em espanhol, nos quadrinhos, foi traduzido para Estela Plateada, trazendo também insatisfação a muitos fãs.  

Nomes de Lugares – Topônimos

A tradução de nomes próprios não se limita aos antropônimos – é preciso analisar também a questão da tradução dos nomes de lugares. Esta categoria exige bom senso por parte do tradutor, pois também possui inúmeras particularidades e exceções. O ideal, portanto, é consultar fóruns e sites confiáveis caso haja dúvidas.

Nomes Próprios de Cidades ou Países

A norma geral é não traduzir. Burkina Faso, por exemplo, não é traduzido para “Pátria dos Homens Inteiros”, nem Long Island para “Ilha Longa” – além de não fazer o menor sentido, isso não soaria nada bem. 

No entanto, certos nomes de países possuem traduções equivalentes em idiomas finais – são os chamados exônimos – em espanhol, London vira Londres, Deg Haag vira La Haya e New York, Nueva York.

Nomes de Bairros e Espaços Públicos

Esses nomes também costumam ser mantidos em seu idioma original. Exemplos: Trafalgar Square, Piccadilly Circus, Central Park, Alexanderplatz. No entanto, como já percebemos que toda regra tem sua exceção, há casos em que a tradução direta é utilizada: em espanhol, a 5th Avenue em NY é traduzida para Quinta Avenida e o Promenade des Anglais, na França torna-se Paseo de los Ingleses. Portanto, faça uma pesquisa aprofundada sempre que precisar traduzir tais termos.

Conclusão

Como pudemos perceber, de maneira geral os nomes próprios não costumam ser traduzidos, porém essa é uma tarefa muito mais complexa do que parece.

Como cada idioma possui suas exceções e peculiaridades, é papel do tradutor avaliar cada caso individualmente, considerando o contexto, a época, o sentido, o tom e as nuances do texto a fim de encontrar a melhor solução para que a comunicação seja feita de maneira eficaz, afinal, esse é o objetivo final de qualquer profissional de tradução.

Neste breve artigo, esclarecemos apenas alguns dos principais pontos da tradução de antropônimos e topônimos, porém é preciso ressaltar que esse tema possui muitos meandros e deve ser estudado a fundo.

Sendo assim, não deixe de estudar e se aperfeiçoar sempre que puder. Não podemos nos esquecer de que a língua é viva e está em constante adaptação e você, como tradutor, também deve estar sempre atualizado a fim de oferecer um serviço de excelência para seus clientes.

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