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Essa é uma pergunta que sempre fazemos em uma tradução: devo traduzir nomes?

Ainda que, de maneira geral, nomes próprios não sejam traduzidos, as línguas adaptam muitos nomes ao seu sistema fonético e morfológico, e o resultado é uma nova forma de escrevê-los.

A tradução possui técnicas muito importantes, a fim de que o texto possa ser entendido em sua língua de chegada.

Em uma rápida consulta a qualquer gramática, em nosso caso, consultamos a gramática básica da Real Academia Española (1), encontraremos uma seção destinada aos substantivos e, dentro desta classe de palavras, um subitem que trata dos substantivos ou nomes próprios.

Pois bem, partamos do conhecimento de que tudo (ou quase tudo) tem um nome, não precisa ser um único elemento, mas também um conjunto de coisas ou seres.

Entretanto, alguns nomes referem-se a uma coisa ou indivíduo particular, e unicamente a ele.

A partir desse momento, regras e valores especiais devem ser levados em conta ao lidar com esse tipo de palavra, principalmente na hora de traduzir.

Aqui, falaremos principalmente de problemáticas e saídas para traduções e versões de e ao espanhol e português. Mesmo assim, vale lembrar que grande parte dessa discussão pode ser aplicada a qualquer língua.

Expressões idiomáticas e a tradução para o espanhol

Como traduzir as unidades de medida para o espanhol

Um pouco de teoria…

O que é um substantivo próprio?

  • Como dissemos anteriormente, trata-se de nomear uma coisa ou um indivíduo particular. Isso significa que o nome próprio tem função denominativa.

Exemplo: Esta niña se llama Maria.

  • Além disso, os nomes próprios não têm significado. Isso quer dizer que não se pode atribuir características de conteúdo a partir de nomes como Carlos, Cuba, Lima, etc.
  • Os nomes próprios não estabelecem relações léxicas como hiperonímia, sinonímia, antonímia, entre outras. No caso de antonímia e sinonímia, por exemplo, qual é o contrário de Pedro? Que palavra pode ser um equivalente de Otávio?

Já ficou um pouco mais fácil diferenciá-los?

Além dos pontos anteriores, vale lembrar que existem classes de substantivos próprios:

ANTROPÔNIMOSZOONIMOSTOPÔNIMOS
   
Nomes de pessoas: Tatiana, Carla, Mário, etc.

 

Hipocorísticos: Isa (de Isabel), Gabizinha (de Gabriela), etc.

Sobrenomes: Azorín, Silva, Moreira, etc.

Personagens: Hamlet, Chaves, Don Corleone, etc.

Existem muitos nomes próprios de animais. Eles podem ser:

 

Bichos de estimação

Ex: Esse é o meu gato, o Mouro.

Animais famosos/personagens

Ex: Essa coruja se parece com a Edwiges, do Harry Potter.

Nomes próprios de lugares: América do Sul, Costa Rica, Flórida, São Paulo, Copacabana, etc.

Traduzir nomes, festividades e datas especiais

Os nomes próprios devem iniciar com letra maiúscula. Mesmo assim, saber como reconhecê-los e conhecer algumas de suas características ajuda a identificá-los em um texto.

Percebe-se que a decisão de traduzir nomes não é uma tarefa fácil.

Importante: em alguns casos, substantivos comuns e grupos nominais formados por eles respeitarão as normas para nomes próprios. Esse detalhe costuma passar despercebido por muita gente.

Por isso, no caso de festividades ou comemorações, escrevemos Natal, Páscoa, etc.

O mesmo vale para o nome dos astros (Marte), representações alegóricas (a Morte) e títulos de obras (“Dom Casmurro”, por exemplo).

No caso de fundações, ordens religiosas, empresas, clubes esportivos, corporações, associações, agregações e instituições de maneira geral, também devemos escrevê-los como nomes próprios.

Traduzir ou não traduzir eis a questão?

Você sabe quem é Bruno Díaz? Provavelmente sim, mas se não passou a infância assistindo desenhos animados em algum país hispânico, não saberá que se trata de Bruce Wayne, o Batman.

Ou, quem sabe, você preferia passar o tempo lendo um gibi, os da coleção Mónica y su pandilla eram excelentes, mas talvez você os conheça pelo nome “Turma da Mônica”.

No início de nosso artigo, falamos de substantivos próprios que nomeiam personagens e obras, e também mencionamos que em relação a traduzir nomes, de maneira geral, pode-se afirmar que não são traduzidos.

Então, o que aconteceu nesses casos? Como saber quando traduzir ou não?

Dicas para saber quando traduzir nomes
  • Seja um leitor perspicaz

Os substantivos podem ter correspondência etimológica com nomes de outras línguas. Tomemos como exemplo os nomes de pessoas e observe a breve tabela a seguir:

EspanholPortuguês
EstebanEstevão
JuanJoão
AlejandroAlexandre
JavierXavier
CatalinaCatarina
CristóbalCristóvão

Entretanto, isso não quer dizer que sempre usaremos o correspondente. Depende muito do tipo de texto e do nome em questão.

É normal que em muitos textos de ficção, anúncios publicitários, etc., se opte pela adoção de um nome que faça mais sentido na língua de chegada.

Muitas vezes, o cliente pode apontar se quer ou não mudanças nesse sentido, mas caso isso não aconteça, é responsabilidade do tradutor desenvolver sua sensibilidade como leitor e identificar as nuances de sentido presentes no texto e se há ou não lugar para traduzir substantivos próprios.

  • É importante ter em mente que existem países mais ou menos abertos ao uso de nomes estrangeiros, sabe-se que a Espanha é conhecida por priorizar traduções de qualquer termo ou nome em outras línguas ao castelhano, por exemplo;

Segundo o Manual de Editoração e Estilo (2), é desaconselhável “aportuguesar” topônimos ou traduzir qualquer nome próprio.

Entretanto, alguns nomes de países têm uma “tradução fonética” ou transliteração para o português (o mesmo vale para o espanhol, como vimos). (p. 467).

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Passos para uma tradução de Sucesso
  • Pesquise, pesquise e pesquise (depois pesquise mais um pouco)

Usar a internet como ferramenta de pesquisa é mais do que uma necessidade, é uma obrigação!

Suponhamos que o trabalho em questão é a tradução de um release sobre o filme Aquarius (2016), de Kleber Mendonça Filho.

O texto será usado em campanhas de divulgação em países sul-americanos de língua espanhola.

Ao realizar uma breve pesquisa, constataremos que muitas páginas e portais usam a tradução adotada para o espanhol, Doña Clara, e muitos mantêm o título original entre parêntesis: Doña Clara (Aquarius).

A partir disso, o tradutor poderá deliberar sobre a melhor tradução, mas não é recomendável “inventar” traduções para qualquer obra, já que ela provavelmente já possui uma tradução relativamente estabilizada por questões comerciais.

Exemplo de nomes próprios de personagens que foram traduzidos leia aqui.

A mesma regra vale para nomes de lugares. Às vezes há tradução, às vezes não.

Por exemplo: É comum encontrarmos São Paulo, a cidade ou o estado brasileiro, traduzido ao espanhol como San Pablo. É uma alternativa possível, mas não obrigatória.

  • Crie tabelas e glossários

É praticamente impossível lembrar de tudo, ainda mais quando falamos sobre elementos tão pertencentes ao seu próprio contexto.

Caso você sempre trabalhe com textos parecidos ou de temáticas semelhantes, crie tabelas com os correspondentes e/ou glossários que ajudem na hora de traduzir.

Uma solução especialmente eficiente é a construção de glossários por meio de CAT Tools.

Para saber mais sobre CAT Tools e suas funcionalidades, leia nosso artigo completo aqui.

Você já quebrou a cabeça para traduzir nome próprio em português ou em espanhol e teve dificuldades para traduzi-lo?

Como resolveu o problema?

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